Revisitando teorias do desenvolvimento musical à luz da neurocognição: um diálogo necessário
Palavras-chave:
Cognição musical, Desenvolvimento Musical, Teorias do desenvolvimento musical, NeurocogniçãoResumo
Problema/questão
O desenvolvimento humano constitui um fenômeno altamente complexo e ocupa uma posição central na agenda acadêmica. Fundamentalmente, o período de desenvolvimento associado à expansão do córtex cerebral - e à elevada capacidade de neuroplasticidade dependente da experiência - contribui para a emergência de sistemas generativos de comunicação, como a linguagem e a música.
Com o objetivo de compreender os processos de enculturação e de categorizar os estágios da aprendizagem musical, bem como de explicar de que maneira a musicalidade se desenvolve ao longo da vida, pesquisadores formularam diferentes teorias do desenvolvimento musical (TDM) ao longo da história. Nesse contexto, psicólogos, educadores musicais, musicólogos e cientistas do desenvolvimento realizaram avanços significativos por meio da observação empírica e da análise sistemática do comportamento humano, buscando identificar e descrever as diferentes fases do desenvolvimento musical, suas principais características e suas relações com o aprimoramento das habilidades musicais ao longo da vida.
Entretanto, ainda resta determinar em que medida esses postulados teóricos refletem e incorporam adequadamente os avanços da pesquisa em neurocognição musical. Estudos que empregam técnicas de neuroimagem têm ampliado de forma substancial nossa compreensão acerca do processamento musical no cérebro humano. Tais investigações abrangem um amplo continuum, que se estende desde a percepção sonora em níveis iniciais de atividade cortical até os efeitos de longo prazo do treinamento musical sistemático, incluindo diferenças estruturais e funcionais decorrentes da neuroplasticidade cerebral. Nesse cenário, o desenvolvimento e a consolidação dessas técnicas tornaram possível um nível de precisão anatômica e funcional sem precedentes, desempenhando um papel fundamental na elucidação dos mecanismos subjacentes à atividade musical.
Embora parte das estruturas epistemológicas das TDM tenham incorporado contribuições relevantes provenientes da neurociência e da cognição, o diálogo carece de aprofundamento. Limitações metodológicas presentes em estudos anteriores permanecem insuficientemente abordadas, resultando em modelos teóricos parcialmente desatualizados frente à literatura neurocognitiva contemporânea.
Objetivos
Refletir e analisar as TDM à luz do conhecimento neurogonitivo contemporâneo, a fim de aprofundar o debate entre o desenvolvimento musical e o avanço na área da neurocognição musical.
Resultados e/ou Principais contribuições
Parte dos modelos tradicionais apontam equívocos científicos que, em sua concepção, eram desprovidos de embasamento neurocognitivo. A revisão da literatura especializada permitiu trazer uma nova perspectiva acerca das TDM dos autores selecionados, dialogar com avanços na área e, consequentemente, promover um debate mais atento à contemporaneidade.
Conclusões e/ou Implicações
A investigação entre áreas de diálogo restrito revelou uma correlação interdisciplinar necessária. Teorias que assumem proposições por vezes generalistas depararam-se aqui com evidências científicas que refutam - e por hora corroboram - ideias postuladas. Em suma, estudos transversais e longitudinais devem ser levados em consideração na proposição de qualquer TDM. O presente trabalho promove a ampliação do embasamento neurocognitivo aplicado às TDM, no intuito de serem revisitadas sob a égide de um olhar mais atento aos avanços na área da cognição musical.