Música e Alzheimer

Mapeamento Bibliográfico Nacional de 2014 a 2024.

Autores

  • Victor Cavalcanti Universidade Federal de Pernambuco
  • Viviane dos Santos Louro Universidade Federal de Pernambuco

Palavras-chave:

M´úsica, Alzheimer, Musicoterapia, Educação Musical

Resumo

Problema/questão

O envelhecimento populacional tem se intensificado nas últimas décadas, ampliando a prevalência de doenças como a Doença de Alzheimer (DA) (DESA, 2017), caracterizada por comprometimento progressivo da memória, linguagem e funções executivas por morte neuronal associada à formação de placas beta-amiloides (Nordon et al., 2009; Sereniki & Vital, 2008). Evidências da Neurociência Cognitiva indicam que a prática musical ativa múltiplos circuitos neurais e pode favorecer a evocação de memórias, visto que a memória musical pode permanecer relativamente preservada (Izquierdo, 2004; Muszkat, 2012). Além disso, a música contribui para a manutenção da identidade, da expressão emocional e da socialização em idosos com DA (Martins; Quadros, 2021), sendo uma eficaz forma de estimulação neural (Gomes; Do Amaral, 2012; Borges; Júnior; Blanch, 2021). Sendo assim, é importante saber o que as pesquisas nacionais têm abordado sobre essa temática tanto pelo viés da terapia quanto da educação musical. Este resumo é um recorte de uma pesquisa de Pibic em andamento de um curso de Licenciatura em Música em uma Universidade Federal Nordestina.  

Objetivos

Realizar um mapeamento bibliográfico sobre como a música tem sido relacionada à Doença de Alzheimer em produções acadêmicas nacionais entre 2014 e 2024. Especificamente, buscou-se definir a Doença de Alzheimer, identificar estudos brasileiros que relacionam música e DA e organizar os trabalhos encontrados por áreas de conhecimento.

Métodos 

Trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter descritivo e abordagem qualitativa. A busca foi realizada em bases de dados e repositórios acadêmicos, como Google Acadêmico, SciELO e repositórios institucionais, considerando produções publicadas entre 2014 e 2024. Os critérios de inclusão para os trabalhos foram: artigos em revistas e anais, trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses em português, disponíveis em bancos de dados públicos sobre Alzheimer e Música. 

 

Resultados 

Foram identificados 16 trabalhos: na área de Educação Musical foram encontrados oito trabalhos, sendo dois artigos em periódicos, cinco trabalhos publicados em anais de eventos e um trabalho de conclusão de curso. Na área de Musicoterapia e Fonoaudiologia foram identificados cinco estudos, todos artigos científicos publicados em periódicos da área da saúde. Também foram encontrados um estudo na área de Enfermagem, correspondente a uma dissertação de mestrado, um artigo na área de Terapia Ocupacional e uma tese de doutorado na área de Neurolinguística. A análise dos trabalhos permitiu identificar três eixos temáticos principais: música como estratégia de estimulação cognitiva e evocação de memórias; intervenções musicais no cuidado terapêutico de pessoas com demência; e práticas de educação musical voltadas ao bem-estar e à participação social de pessoas idosas (Izquierdo, 2004; Muszkat, 2012; Gomes & Amaral, 2012; Borges, Alves Júnior & Blanch, 2021; Santos, 2021; Oliveira et al., 2018). 

 

Conclusão 

Os 16 estudos analisados indicam que intervenções musicais podem contribuir para a estimulação cognitiva, a evocação de memórias e a promoção do bem-estar emocional em pessoas idosas, especialmente aquelas com demência ou Doença de Alzheimer, destacando o papel da memória musical e das experiências sonoras autobiográficas como mediadoras de processos cognitivos, emocionais e sociais no envelhecimento.

Biografia do Autor

Viviane dos Santos Louro, Universidade Federal de Pernambuco

Docente do departamento de música da Universidade Federal de Pernambuco. Doutora em Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Mestre em música pela Universidade Estadual de São Paulo (UNESP); Pos-graduada em psicologia investigativa e criminal profile (UNYLEIA); Bacharel em piano pela FMU-FIAM-FAAM; Técnica em piano erudito pela FASCS. Pesquisadora da área de educação musical inclusiva, música e neurociências, saúde mental e comportamento humano, música e psicomotricidade e neurocriminologia.Autora dos livros: Educação Musical e Deficiência - propostas pedagógicas (2006), Arte Inclusão Educacional (2007), Arte e Responsabilidade Social (2009), Fundamentos da Aprendizagem musical da pessoa com deficiência (2012), Música e Inclusão - múltiplos olhares (2016) e Jogos e atividades para educação musical inclusiva (2018); HQ CEREBRANDO - a música no seu cérebro (2020); Educação Musical, Autismo e Neurociências (2021); Os Olhos de Vivi (2021); Música, movimento e linguagem (2022); Tópicos em Música e Neurociências (2022); Ensino de música, tecnologias e diversidade (2023); Neurociência e Música: pesquisa, saúde e ensino (2023) - Indicado a concorrer o Prêmio Jabuti Acadêmico - 2024; Manifesto e Diretrizes para uma educação musical anticapacitista e antipsicofóbica (2024); Sofrer para Aprender? Fundamentos e ações de um programa universitário em bem-estar e saúde mental (2024). Criadora do site musica e inclusão (www.musicaeinclusao.wordpress.com) e do Simpósio de Educação Musical Especial. Palestrante sobre educação musical inclusiva, psicomotricidade, saúde mental e neurociências em todo território nacional. Colunista da revista musical No Tom. Na UFPE é coordenadora do projeto de extensão ''Probem do CAC'', da Liga Acadêmica de Neurociência Aplicada, do Laboratório Interdisciplinar de Neurociência, Música e Desenvolvimento Humano (LINEM) e do curso da pós-graduação Latu Sensu em Música, Neurociências e Desenvolvimento Humano, além de Membro da Comissão de Saúde Mental e Humanização: BEM-ESTAR UFPE e do GT de Saúde Mental da UFPE. Detentora de 25 prêmios nacionais entre piano, projetos socioeducativos com arte e artigos acadêmicos em neurociência. Participa constantemente lives, documnetários, entrevistas em rádios, TV e podcasts. Ex membro da Associação Brasileira de Criminologia (ABCRIM). Participou como comentarista em neurocriminologia no canal investigativo Rede Rio TV. Foi speakers do TED Talk Recife em 2017 e tem aprofundado seus estudos na área de ciências forenses e neurocriminologia. Em 2024 concorreu ao Prêmio Nacional de Ciência e Tecnologia da CBMM e ao prêmio de literatura Jabuti Acadêmico. Em 2024 recebeu o Prêmio Special Tribute O Prêmio Special Tribute para a Humanidade, uma das maiores honrarias europeias que reconhece indivíduos comprometidos com princípios éticos e respeitosos que promovem mudanças positivas para a sociedade e a humanidade.

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Publicado

2026-07-13