A vivência musical preditora de empatia cognitiva para inibição ao bullying escolar
Palavras-chave:
Vivência Musical, Empatia, Bullying, Educação Musical, Modelagem de equações estruturais, Empatia Cognitiva, Cognição musicalResumo
A exponencial significativa escalada da violência escolar tem o bullying como associação e fenômeno frequente nas escolas, o que expõe as vulnerabilidades da sociedade brasileira nas últimas décadas (Cara, 2023; Vinha & Garcia, 2025). Este problema demanda estratégias preventivas que transcendam as medidas meramente punitivas, focando no desenvolvimento de competências socioemocionais nos estudantes (Ruiz & Mora-Merchán, 1998). Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo investigar de que forma a vivência musical influencia a mitigação da perpetração do bullying, analisando o papel da empatia, em suas dimensões cognitiva e afetiva, como principal mecanismo mediador dessa relação entre estudantes do ensino médio. O delineamento foi quantitativo, transversal e explicativo. A amostra foi composta por 527 estudantes do ensino médio integrado do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) - Campus Ouro Preto. Para a coleta de dados, utilizou-se o Questionário Breve de Experiência Musical (Brief-MEQ) (Werner et al., 2006) na versão QuEM-Br desenvolvida por (deSouza, Silva & Arsand Neto, 2024), o Índice de Reatividade Interpessoal (IRI) (Davis, 1983) e a Escala de Comportamentos de Bullying (ECB) (Gouveia et al., 2015). A análise dos dados foi realizada por meio de Modelagem de Equações Estruturais (SEM). A análise revelou que a vivência musical, por si só, não exerce um efeito direto significativo na redução do bullying. Contudo, confirmou-se um modelo de mediação dupla e paralela onde a vivência musical atua como forte preditora positiva na Tomada de Perspectiva (Empatia Cognitiva) e na Preocupação Empática (Empatia Afetiva). Estas variáveis inibem significativamente os comportamentos agressivos. A Preocupação Empática emergiu como um fator de proteção significativo, inferindo que a música pode mitigar efeitos da socialização associados à agressividade. Entretanto, ela atua como um forte elemento catalisador para a empatia, sendo esta, por si só, o fator protetivo que reduz as agressões. Dessa forma, quando atrelada à vivência musical, a empatia se fortalece ainda mais no fomento à mitigação do bullying. Conclui-se, portanto, que a educação musical nas escolas deve ser compreendida não apenas como uma atividade estética, mas como uma potente tecnologia social e afetiva capaz de humanizar as relações escolares, promovendo a empatia como antídoto à cultura da violência.