Desenvolvimento musical de pessoas cegas e com baixa visão no âmbito de um curso de graduação em música

Autores

  • Emanuelly Costa UFPR
  • Rosane Cardoso de Araújo UFPR

Palavras-chave:

Educação musical inclusiva, Cegos, Desenvolvimento Musical

Resumo

Problema/questão

Em aulas de música para estudantes cegos e com baixa visão, o docente precisa adaptar estratégias, criar ambientes para promover o desenvolvimento musical, evitando a padronização da aprendizagem (Fernandes, 2006; Monte-Serrat, 2007;  Kuhn 2011; Ota, 2014; Ramos, 2023). De acordo com Mauá (2020) a inclusão acontece quando a sociedade não espera que indivíduos se adaptem à ela, mas quando a própria sociedade se adapta levando em consideração as diferenças. Neste sentido, as questões que nortearam o presente estudo foram: Como docentes, que atuam no contexto de um curso de graduação em música, percebem o ambiente de ensino para promover o desenvolvimento musical de estudantes cegos e de baixa visão? E estudantes cegos e de baixa visão, como percebem as condições de ensino para promover o seu desenvolvimento musical? 

Objetivos

Investigar as percepções de professores e estudantes (cegos ou com baixa visão) - vinculados a um curso de ensino superior de música do sul do Brasil - sobre as condições para a otimização do desenvolvimento musical de estudantes com deficiência visual.

Método

A metodologia foi o estudo de caso realizado no contexto de um curso de graduação em música do sul do Brasil. A coleta de dados foi conduzida por observações, fontes documentais e pesquisa de opinião relizada com dois ex-alunos cegos/com baixa visão ( P1, P2) e com dois professores do curso (P3, P4). Apresentamos neste texto alguns resultados parciais da pesquisa de opinião.

Resultados 

P2 apresentou críticas ao processo de ensino recebido em determinados momentos do curso: “[...] recebi materiais para analisar [...] no caso específico de harmonia, não tive um suporte adequado”. Ele porém comentou que em outro momento do curso ele teve o acompanhamento de  um estudante de mestrado e isso auxiliou no seu desenvolvimento musical. Já P1 relatou o esforço dos docentes que atuavam no curso de extensão (preparação para o vestibular), para lhe auxiliar em sua prática musical: “[...] havia um esforço... a prova com o sax ele me passou, via MIDI... o material pra eu executar [...] o pessoal fez em alto relevo pra mim as figuras as musicais”. Já em relação aos professsores, tanto P3 quanto P4 demonstraram que percebiam a dificuldade de acompanhar o desenvolvimento musical dos alunos cegos e com baixa visão, por não se sentirem preparados para atuar didaticamente com esta população específica. Também comentam sobre a falta de acessibilidade no próprio departamento: “Não vejo que tais questões sejam acalentadas por nós nos últimos tempos com a devida seriedade”. (P3). 

Conclusões e/ou Implicações

A partir dos resultados foi possível observar que ações específicas e pontuais foram relatadas como positivas para otimizar o desenvolvimento cognitivo e musical de alunos cegos/com baixa visão no contexto estudado. No entanto, todos os entrevistados sinalizaram para os pontos frágeis desse processo: despreparo docente, déficits de acessibilidade, falta de ações concretas para inclusão. Estes resultados sinalizam para a necessidade da realização de novos estudos sobre a promoção do desenvolvimento musical de alunos cegos e com baixa visão no contexto do ensino superior brasileiro.

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Publicado

2026-07-13