Comportamentos autorregulados de graduandos nas práticas do solfejo e do ditado musical
Palavras-chave:
autorregulação, Percepção musical, Solfejo, Ditado, GraduaçãoResumo
Problema/questão
A autorregulação refere-se à habilidade do indivíduo em conduzir sua própria aprendizagem por meio do engajamento metacognitivo, motivacional e comportamental (McPherson, 2022), e ocorre em três fases cíclicas e interligadas: 1)antecipação: análise/ planejamento da tarefa e crenças pessoais para com esta; 2)realização: processos de autocontrole e auto-observação que afetam a concentração e o desempenho; 3)autorreflexão: autojulgamento em relação à tarefa e resultados (McPherson & Zimmerman, 2011). Comportamentos autorregulados de instrumentistas têm sido discutidos pela literatura (Renwick & McPherson, 2009; Miksza, 2012); por outro lado, a carência de tais comportamentos por discentes tem sido apontada como um desafio vivenciado por docentes da disciplina de percepção musical no Brasil (Gusmão, 2011; Otutumi, 2017). De que forma tais comportamentos se apresentariam nas práticas de graduandos acerca do solfejo e do ditado?
Objetivo
Investigar comportamentos autorregulados de graduandos em Música nas práticas do solfejo e do ditado musical.
Método
Durante um semestre letivo, graduandos da disciplina de Percepção Musical I produziram três portfólios individuais para registrar e refletir sobre seus processos de estudo no solfejo e no ditado. Inspirados no modelo de questionário de McPherson et al.(2017), os portfólios foram propostos como incentivo à autorregulação e como atividade avaliativa: mensalmente, os alunos deveriam realizar três exercícios de solfejo e três de ditado (disponibilizados digitalmente), registrá-los e entregá-los em arquivos de áudio/imagem, e responder às questões do portfólio sobre as fases da autorregulação, descrevendo objetivos, estratégias e pontos fortes/fracos identificados no estudo de cada exercício. Os dados foram analisados por análise de conteúdo (Krippendorff, 2018). Os resultados aqui apresentados correspondem aos dados do segundo Portfólio, especificamente sobre dois ditados e dois solfejos (rítmico e melódico).
Resultados
Na fase de antecipação, os objetivos estiveram relacionados à assimilação e prática dos elementos musicais, ao como fazer os exercícios (ex: imaginar/cantar/memorizar antes de escrever/solfejar) e à realização correta do exercício à primeira vista ou com mínimas repetições. Na fase de realização, a principal estratégia de estudo adotada foi a repetição dos exercícios (completos ou trechos) para corrigir erros e compreender os elementos musicais. Nos solfejos, foram realizadas leituras à primeira-vista, estudo de intervalos isolados e diminuição do andamento. Nos ditados, houve estratégias de discriminação e escrita de elementos musicais separadamente e de cantar/tocar junto com o áudio para correção. Na fase de autorreflexão, a discriminação satisfatória e ágil de elementos musicais, a assimilação e prática desses elementos, a adoção de estratégias eficazes, a sensação de estar aprendendo mais, a autoconfiança e a persistência na tarefa foram apontados como pontos fortes no estudo; como pontos negativos, foram relatados: demora na realização da tarefa, erros, dúvidas e/ou dificuldades com os elementos musicais, insatisfação com os resultados e necessidade de estudar mais, além de sensações de insegurança, frustração, dispersão e preguiça durante a tarefa.
Conclusões
Os comportamentos aqui descritos se assemelharam em parte àqueles da prática instrumental, enquanto outros mostraram-se característicos do solfejo e do ditado. Os portfólios revelaram-se um recurso favorável à conscientização dos graduandos sobre a aprendizagem autorregulada em percepção musical.
Palavras-chave
Autorregulação, Percepção Musical, Solfejo, Ditado, Graduação