Musicoterapia e Hipersensibilidade Auditiva de crianças no Transtorno do Espectro Autista
Definição de Protocolo de Intervenção
Keywords:
Musicoterapia, Transtorno do Espectro Autista, Hipersensibilidade auditiva, InfânciaAbstract
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado por déficits na comunicação e interação social, além de padrões de comportamento restritos e repetitivos. Dentre os critérios diagnósticos estabelecidos pelo DSM-5, a hiper-reatividade a estímulos sensoriais destaca-se como um fator de impacto significativo na funcionalidade cotidiana. A hipersensibilidade auditiva, termo que abrange condições como hiperacusia, fonofobia e misofonia, afeta entre 50% e 70% dos indivíduos com TEA (Williams, 2021), podendo chegar a 87% sob a perspectiva dos cuidadores (Scheerer et al., 2022). Tais alterações sensoriais frequentemente resultam em reações emocionais adversas, isolamento social e prejuízos na qualidade de vida (OMS). O presente trabalho apresenta um levantamento bibliográfico atualizado e a estruturação de um protocolo de intervenção musicoterapêutica voltado à dessensibilização e ampliação da tolerância auditiva em crianças autistas. A questão de investigação reside em como uma intervenção estruturada em musicoterapia pode atenuar os desconfortos gerados por sons cotidianos. O objetivo geral é investigar o impacto da musicoterapia na tolerância a estímulos sonoros e na qualidade de vida de crianças de 3 a 6 anos. A metodologia proposta caracteriza-se como um estudo misto e exploratório, do tipo pré e pós-teste. O protocolo de ação consiste em 12 sessões semanais de 30 minutos, pautadas em estimulação sensorial controlada e práticas de musicoterapia improvisacional (Freire, 2014; Zhao, 2025). Os instrumentos de avaliação incluem o Questionário de Hiperacusia (Khalfa, 2002), o inventário PedsQL para qualidade de vida e a Escala DEMUCA para desenvolvimento musical (Oliveira, 2015). Como resultados esperados, antecipa-se uma melhora significativa na regulação emocional frente a eventos sonoros intensos e uma redução nos níveis de estresse parental (PSI-SF). A revisão de literatura corrobora que a intervenção musical favorece a plasticidade cerebral e a modulação sensorial, oferecendo um caminho terapêutico eficaz para a integração de indivíduos com TEA em ambientes sociais e escolares. Conclui-se que a sistematização de um protocolo de dessensibilização é fundamental para oferecer diretrizes clínicas baseadas em evidências para musicoterapeutas.