Musicoterapia e fisioterapia em processos terapêuticos integrados

Uma revisão integrativa

Autores/as

  • Rômullo Ramalho Universidade Federal de Minas Gerais

Palabras clave:

musicoterapia; fisioterapia; interdisciplinaridade; reabilitação; colaboração terapêutica.

Resumen

RESUMO

Problema/questão

O desenvolvimento de práticas terapêuticas interdisciplinares tem se intensificado nas últimas décadas, acompanhando a crescente complexidade das demandas em saúde. No campo da musicoterapia, observa-se a ampliação de abordagens clínicas que envolvem colaboração entre diferentes profissionais, ampliando as possibilidades de intervenção terapêutica (McFerran, 2023). Nesse contexto, destaca-se a interface entre musicoterapia e fisioterapia, na qual a integração de técnicas das duas áreas em processos terapêuticos colaborativos pode favorecer o desenvolvimento motor, social e cognitivo dos pacientes.

Embora existam publicações que descrevem experiências clínicas envolvendo essas áreas, a literatura ainda é limitada quanto à caracterização dessas práticas, aos protocolos utilizados e aos impactos terapêuticos observados (Ramalho, 2025). Assim, permanecem pouco investigados os modos como ocorrem os processos colaborativos entre musicoterapeutas e fisioterapeutas em contextos clínicos (Vinolo-Gil et al., 2021).

Diante disso, a questão de pesquisa que orienta este estudo é: como ocorrem e quais são os impactos dos processos terapêuticos colaborativos interdisciplinares envolvendo musicoterapia e fisioterapia?

Objetivos

Identificar e analisar como ocorrem os processos terapêuticos interdisciplinares envolvendo musicoterapia combinada com fisioterapia e seus impactos clínicos. Busca-se identificar as nomenclaturas utilizadas para caracterizar essas práticas, os procedimentos adotados, as populações atendidas, os modelos e técnicas aplicadas e os principais desfechos clínicos observados.

Método 

Foi realizada uma revisão integrativa da literatura. As buscas foram conduzidas em bases e repositórios acadêmicos como SciELO, LILACS, Journal of Music Therapy, Nordic Journal of Music Therapy, Revista Brasileira de Musicoterapia, Voices e Google Acadêmico. Utilizaram-se descritores em português, inglês e espanhol relacionados a musicoterapia, fisioterapia, interdisciplinaridade, colaboração e coterapia. Foram incluídos artigos científicos, dissertações e estudos de caso que descrevessem intervenções envolvendo atuação conjunta entre musicoterapeutas e fisioterapeutas. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram identificadas sete publicações produzidas entre 2006 e 2025.

Resultados e/ou Principais contribuições

Os estudos analisados foram realizados principalmente nos Estados Unidos, além de Noruega e Portugal, sendo predominantemente estudos de caso clínico. As intervenções envolveram diferentes populações, incluindo pessoas com acidente vascular cerebral, doença de Parkinson, síndrome de Rett, paralisia cerebral e déficits de equilíbrio e coordenação decorrentes de condições neurológicas (Aymond & Sanders, 2018; Stein & Bergh, 2019; Lotan & Elefant, 2006).

Observou-se diversidade terminológica para descrever essas práticas, incluindo termos como “coterapia”, “intervenção combinada”, “tratamento colaborativo” e “programa interdisciplinar”. As estratégias terapêuticas envolveram distintos modelos, além de técnicas de musicoterapia, como improvisação e recriação musical e procedimentos de musicoterapia neurológica, associadas a exercícios fisioterapêuticos voltados ao treino de marcha, equilíbrio e coordenação motora. De modo geral, os estudos relatam melhorias em aspectos motores, funcionais, cognitivos e comunicativos.

Conclusões e Implicações

Os resultados indicam que a integração entre musicoterapia e fisioterapia representa uma abordagem promissora em processos terapêuticos de cuidado interdisciplinar. Entretanto, a literatura ainda é limitada e baseada majoritariamente em estudos de caso, o que evidencia a necessidade de investigações empíricas mais sistemáticas que aprofundem a compreensão dessas práticas e contribuam para o desenvolvimento de abordagens colaborativas utilizadas no desenvolvimento dos indivíduos.

 

 

Publicado

2026-07-13