Sentidos surdos

visualidade e tactilidade musical na instalação-oficina SurdoSystem

Autores/as

  • Leonardo Augusto Arruda Universidade Estadual de Campinas
  • Matheus Prado Garcia Universidade Estadual de Campinas

Palabras clave:

Musicalidade surda, Cognição, Música de paredões

Resumen

RESUMO

Problema/questão

A percepção musical no ocidente é tradicionalmente centrada na modalidade auditiva, desconsiderando as potencialidades multimodais da música. O projeto SurdoSystem investiga como a "musicalidade surda" (Mathias, 2019) e a estética dos "paredões" de som podem promover uma apreciação multissensorial (Arruda; Garcia, 2025). A pesquisa fundamenta-se na hipótese de que elementos extra-sonoros e sons graves (20 Hz a 200 Hz) são de interesse particular para o público, sendo percebidos como parte integrante da obra.

Objetivos

Este trabalho analisa a aplicação da instalação-oficina site-specific realizada no festival FEIA 26. Os objetivos são: 1) Identificar sentidos e regiões corporais estimulados; 2) Avaliar como o deslocamento espacial influência na percepção das ondas sonoras; e 3) Investigar se a vivência altera a percepção dos sujeitos sobre o que constitui a música.

Método

O estudo adota uma abordagem qualitativa baseada na Teoria Fundamentada (Charmaz, 2009). Foram analisados dados de questionários digitais aplicados a participantes da oficina realizada em outubro de 2025. A análise foca no relato da experiência subjetiva para categorizar as percepções sobre o envolvimento multissensorial.

Resultados e/ou Principais contribuições

Os relatos destacam o tato como o sentido mais evocado, com vibrações sentidas nos "pés, quadril, útero, peito e mãos". Bexigas infláveis permitiram a "sensibilidade para as vibrações", enquanto uma tábua de madeira ativada com falantes possibilitou sentir "todos os sons separadamente". O movimento no espaço foi crucial, pois "em cada espaço da sala o corpo responde de forma diferente", confirmando a intenção de criar um "acoplamento estrutural" entre o corpo e o ambiente vibrátil (Maturana; Varela, 2004). A principal contribuição foi o relato de que a vivência conseguiu “desprender a música da audição”, gerando interpretações via sinestesia e percepção de “música como vibração”.

Conclusões e/ou Implicações

Os resultados validam a eficácia da instalação em descentralizar a percepção musical da audição. A experiência reforça os pressupostos da Cognição 4E e do conceito de "musicar" (Small, 1998), em que a música é entendida como um fazer social e corporal. Conclui-se que o uso de "caminhos de rodeio" (Vygotsky, 1997), inspirados na musicalidade surda, oferece uma riqueza estética que expande as possibilidades de performance e criação musical.

Palavras-chave

Musicalidade surda. Cognição. Música de paredões.

Referências

Arruda, L. A., & Garcia, M. P. (2025). Cadê as notas que estavam aqui? Música de paredões e a musicalidade surda na instalação-oficina SurdoSystem. 11º Nas Nuvens. Congresso De Música (Anais), Vol. 11(1ª Ed.). https://doi.org/10.5281/zenodo.17768592

Charmaz, K. (2009). A construção da teoria fundamentada: um guia prático para análise quantitativa. Artmed.

Mathias, M. S. (2019). Produção acadêmica sobre música e surdez: o que revelam as publicações brasileiras. Revista da ABEM, 27(42).

Maturana, H. R., & Varela, F. J. (2004). A Árvore do Conhecimento. Palas Athena.

Small, C. (1998). Musicking: the meanings of performing and listening. Wesleyan University Press.

Vygotsky, L. S. (1997). Obras escogidas: Tomo V. Editorial Pedagógica.

Biografía del autor/a

Leonardo Augusto Arruda, Universidade Estadual de Campinas

Compositor, engenheiro e pesquisador, desenvolve projetos interseccionando acessibilidade, cognição musical, criatividade computacional, síntese sonora, interface humano-computador, programação musical e composição interativa. Mestre pelo Instituto de Artes - IA/Unicamp com ênfase em Música, Linguagem e Sonologia, sob orientação de José Eduardo Fornari Novo Junior, com o financiamento da CAPES-FAPESP. Possui especialização em Processos Didático-Pedagógicos para Cursos na Modalidade a Distância pela Universidade Virtual do Estado de São Paulo UNIVESP e Bacharel em Engenharia de Computação pelo Centro Universitário Sagrado Coração USC (2018). Atua em pesquisas pelo Núcleo Interdisciplinar de Comunicação Sonora (NICS) e integra o grupo de pesquisa Coletivo de Comunicação, Cognição e Computação (C4), registrado no CNPq. A produção acadêmica e artística envolve a articulação entre música, tecnologia e inclusão, explorando aspectos de musicalidade surda, percepção sonora e estética em ambientes e projetos que utilizam recursos de tecnologia assistiva para tornar a experiência musical acessível a diferentes públicos.

Matheus Prado Garcia, Universidade Estadual de Campinas

Mestrando em música pelo Instituto de Artes Unicamp. Pesquisador em música e tecnologia no Núcleo Interdisciplinar de Comunicação Sonora (NICS). Pesquisa estética musical de redes neurais, música eletrônica, cognição musical e musicalidade surda. Compositor, produtor e intérprete, bacharel em música popular pela Unicamp (2022)

Publicado

2026-07-13