Cognição enativa e coordenação intercorporal no desenvolvimento da intenção expressiva
Palabras clave:
cognição incorporada, coordenação intercorporal, improvisação musical, intenção expressiva, cognição enativaResumen
Problema
Exercícios de espelhamento entre músicos são frequentemente utilizados em contextos pedagógicos para desenvolver escuta mútua, coordenação e integração interpretativa; os quais também podem contribuir para a construção da intenção expressiva no contexto da regência. Entende-se por intenção expressiva o conjunto de elementos que conferem caráter musical à execução e que não estão completamente especificados pela notação. Esta comunicação apresenta uma incursão fundamentada nas noções de acoplamento sensório-motor (sensorimotor coupling) e coordenação intercorporal, dentro do campo da cognição incorporada, e problematiza a possibilidade de aplicação dessa abordagem também para a prática da regência musical.
Objetivos
Propõe-se utilizar um exercício estruturado de improvisação como laboratório para a observação desse processo. Dois músicos constroem regimes compartilhados de pulso, tensão e intenção gestual, explorando variações de intensidade e articulação. O foco não está na invenção temática, mas na consolidação de um campo comum de regulação temporal.
Método
Trata-se de um estudo de caso o que se propõe a verificar se a atividade de improvisação atua na transmissão de expressão intensiva durante a relação regente e instrumentista. Para tanto, após a improvisação entre dois músicos, um deles assume a regência enquanto o outro realiza uma leitura à primeira de um determinado trecho de Estudo para Tímpano Solo. O experimento é registrado em vídeo e analisado para saber se houve analogia entre as duas situações.
Resultados
Os resultados sugerem ter havido integração entre as estruturas musicais, e que estas decorreram de processos enativos. Esse fenômeno pode ser explicado pela ação de neurônios espelho, tal como em Overgy, K. & Molnar-Szakacs (2009). Portanto, a esse tipo de proposta que apresentamos revela-se um campo interessante para observar como cognição musical, ação corporal e percepção coletiva contribuem para a construção do sentido musical também na atividade da regência.
Conclusões
Práticas fundamentadas na coordenação intercorporal e no acoplamento sensório-motor podem constituir procedimento eficiente de preparação para a performance musical. Ao integrar improvisação estruturada, análise e vários tipos de repertório. A proposta amplia a compreensão da execução musical como processo dinâmico de estabilização interativa, no qual corpo, gesto e temporalidade desempenham papel central na organização sonora.