Percepções de pianistas acerca da funcionalidade, conforto e adequação de padrões de dedilhado em diferentes andamentos

Autores/as

  • Celso Luiz Barrufi dos Santos Junior Pesquisador independente
  • Regina Antunes Teixeira dos Santos Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Palabras clave:

piano, dedilhado, performance pianística, andamento

Resumen

Problema/questão

O dedilhado no piano é marcado pela multiplicidade de possibilidades, sendo que não há correspondência fixa entre dedos e teclas (Sloboda et al., 1998). Desse modo, a escolha de quais dedos utilizar em uma passagem musical é regida por fatores que incluem aspectos motores, físicos/ergonômicos, cognitivos e interpretativos/expressivos (Parncutt & Troup, 2002). Pesquisas recentes têm, por um lado, desenvolvido e refinado sistemas de geração automática de dedilhados para passagens simples (Guan et al., 2022), e, por outro, investigado como pianistas tomam decisões de dedilhado a partir do contato com fontes externas (sugestões na partitura e vídeos de performances) sob a perspectiva do conhecimento coletivo corporificado representado por dedilhados convencionais, os quais formam uma gramática motora adquirida ao longo da formação instrumental (Kim, 2025, 2026). No entanto, a relação entre dedilhados possíveis a serem aplicados a um mesmo trecho e metas específicas de andamento de performance constitui um tópico ainda a ser explorado, sobretudo, à luz da bimanualidade inerente ao repertório pianístico.

Objetivos

Investigar as percepções de pianistas acerca da funcionalidade, conforto e adequação de diferentes padrões de dedilhados tendo em vista andamentos distintos nas situações de performance.

Método

Três pianistas experientes (D1, D2 e D3) executaram dois excertos (mãos juntas) da Sonata K. 271 de Domenico Scarlatti com três padrões de dedilhado (A, B e C) em três andamentos distintos: moderado, rápido e muito rápido (colcheia = 160, 200 e 240 b.p.m., respectivamente). Devido à potencial influência do primeiro dedilhado executado na percepção dos demais (ver Kim, 2026), a ordem de apresentação dos dedilhados foi controlada de modo que cada participante os executasse em uma sequência distinta (A-B-C, B-C-A, C-A-B). Os excertos, os dedilhados e os andamentos foram escolhidos com base em um estudo prévio (XXXXX, XXXX). A coleta de dados contemplou a gravação de performances (áudio, vídeo e MIDI) em um disklavier Yamaha DKC-800 e entrevistas semiestruturadas.

Resultados

Os resultados indicaram que o andamento foi determinante na percepção de funcionalidade, conforto e adequação dos dedilhados. Todos os dedilhados foram vistos como confortáveis e adequados no andamento moderado, corroborando a visão de que a velocidade lenta de execução dá mais margem para diferentes opções de dedilhado (Kim, 2026). Na medida em que o andamento aumentou, os participantes relataram preferência por um dos padrões (dedilhado C), tido como menos convencional por estabelecer arranjos de notas entre as mãos em pontos que antecedem deslocamentos rápidos (saltos). Além do conforto, ele proporcionou

maior sensação de segurança e liberdade na manipulação de aspectos interpretativos (como articulação) mesmo em andamentos rápidos. Elementos como consistência de dedilhados em passagens semelhantes e também entre as mãos, passagem do polegar, manutenção de posições das mãos no teclado e dedo de chegada nos saltos foram elencados como influentes na percepção dos dedilhados.

Implicações

No âmbito da performance pianística e da pedagogia do piano, destaca-se a importância da consideração não somente do andamento final de performance na escolha ou elaboração de dedilhados mas também de opcionalidades envolvendo padrões menos convencionais, especialmente em andamentos rápidos.

Publicado

2026-07-13