Musicoterapia não é Relaxamento

Agência Musical na Musicoterapia com Pessoas Idosas

Autores/as

Palabras clave:

Musicoterapia, Cognição, Psicometria, Inteligência Artificial, Cognição Incorporada

Resumen

Problema/questão

Existe um senso comum de que a musicoterapia atua primariamente como uma ferramenta de relaxamento passivo ou como um adjunto ao tratamento de transtornos mentais (Bruscia, 2016). Contudo, na prática clínica gerontológica, muitas vezes, a musicoterapia exige engajamento cognitivo e motor (Thaut & Hoemberg, 2014). Este trabalho investiga se a estrutura da cognição musical de idosos mensurada pela Avaliação Cognitiva da Pessoa Idosa em Musicoterapia (ACPIM-5; Pedrosa & Arruda, 2026) está codificada na linguagem como uma forma psicopatológica ou como um domínio autônomo de ação musical. O problema central reside em verificar se modelos de Inteligência Artificial (IA) conseguem prever como humanos respondem a escalas de musicoterapia e se essa predição depende de uma semântica de sintomas ou do “fazer musical” intencional.

Objetivos

O objetivo deste estudo foi realizar a calibração pré-empírica do instrumento ACPIM-5 via Psicometria Generativa, testando o isomorfismo entre o espaço semântico de Large Language Models (LLMs) e a covariação de respostas humanas, identificando os pilares lógicos que sustentam a cognição musical na senescência.

Método

Utilizou-se um protocolo de Psicometria Generativa comparativo em que se extraiu embeddings da arquitetura Cohere v3.0 para os itens da ACPIM-5 e de escalas de Coping Musical (ECOM; Pimentel et al., 2012) e Psicopatologia Beck Depression Inventory (BDI; Beck et al., 1996), Beck Anxiety Inventory (BAI; Beck et al., 1988) e Depression, Anxiety, Stress Scale (DASS-21; Lovibond & Lovibond, 1995). O treinamento do modelo Elastic Net foi realizado em duas etapas: (1) treinamento em um banco de dados robustos sobre variáveis psicopatológicas ( participantes brasileiros) e (2) treinamento em uma base de domínio musical (). A validade da transferência para a escala de cognição em musicoterapia com pessoas idosas foi aferida via Testes de Permutação (5.000 iterações) para garantir que os resultados não fossem aleatórios.

Resultados e/ou Principais contribuições

Os resultados revelaram que o modelo treinado em 1.838 casos de depressão e ansiedade falhou em prever a estrutura da musicoterapia com a população idosa (), levantando evidências de que o “fazer musical” em musicoterapia não compartilha a mesma gramática da psicopatologia. Em contrapartida, o modelo treinado em Coping Musical demonstrou um isomorfismo robusto com a ACPIM-5 (; ). A análise de Explainable AI (XAI) informou que as dimensões de Relaxamento Passivo e Redução de Estresse apresentaram pesos negativos massivos na predição, enquanto o termo “Desopilar” (Ativação Catártica) e dimensões de Motivação e Ação foram as âncoras positivas estáveis ().

Conclusões e/ou Implicações

A pesquisa conclui que a musicoterapia, sob a ótica da cognição incorporada, é definida pela Agência e não pelo relaxamento. A IA revelou que a estrutura da cognição em pessoas idosas na musicoterapia é uma estrutura de ativação. Estes achados implicam que intervenções e testes de avaliação em musicoterapia devem ser calibrados por domínios de engajamento ativo, pois a semântica da música na mente humana é da ação musical intencional.

Biografía del autor/a

Frederico Pedrosa, UFMG

Professor Adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde coordena o Núcleo de Assessoramento à Pesquisa (NAPq) da Escola de Música. Atua como docente permanente no PPG Música e colaborador no PPG Neurociências (UFMG). Sua produção científica concentra-se na interseção entre Musicoterapia, Psicometria e Inteligência Artificial, com ênfase no desenvolvimento de tecnologias assistivas e modelos computacionais para saúde mental. Doutor em Música (UFMG), Mestre em Música (UFPR) e Bacharel em Musicoterapia, especializando em Inteligência Artificial (UFV). É líder do grupo Centro de Estudos do Gesto Musical e Expressão (CEGeME-CNPq) e pesquisador nos grupos CEMT-CNPq e NEPIM-CNPq. Membro da comissão da Brazilian Journal of Music Therapy (Revista Brasileira de Musicoterapia - Qualis A2 2021-2024), além de atuar como revisor de periódicos nacionais e internacionais. Foi vencedor dos Prêmios Cybelle Loureiro e Lia Rejane de Pesquisa (2024/2025). É instrumentista (violeiro e baixista) nos grupos Herança Ancestral e Outro Gato Gipsy Jazz. GitHub: https://github.com/FredPedrosa/ 

Mariana Lacerda Arruda, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutora em Educação (UFPR), Mestre em Educação (UFPR). Especialista em Neuropsicologia (2006). Especialista em Educação Especial (2009). Graduação em Musicoterapia pela Faculdade de Artes do Paraná (2005 - UNESPAR/FAP). Possui curso técnico em Música pela Escola de Educação Profissionalizante Rosa Mística. Professora do Bacharelado em Musicoterapia e do Mestrado Profissional em Educação Inclusiva da Universidade Estadual do Paraná - Campus de Curitiba II - Faculdade de Artes do Paraná. Membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Musicoterapia (NEPIM/CNPQ). Editora da Revista InCantare (A4). Autora do instrumento Avaliação Cognitiva de Pessoas Idosas em Musicoterapia (ACPIM). Site: https://sites.google.com/view/acpim. Coordenadora da Roda de Samba da FAP.

Publicado

2026-07-13