Educação Musical e Dislexia
as contribuições do estudo musical no desenvolvimento de crianças disléxicas
Palabras clave:
Dislexia, Musicalização, Adaptação, Desenvolvimento, Socialização, TranstornoResumen
Problema
A dislexia é um transtorno específico de aprendizagem caracterizado por dificuldades na leitura e na escrita, frequentemente associadas a déficits no processamento fonológico, na memória de trabalho e na integração de informações auditivas e visuais. Além dos impactos no desempenho acadêmico, crianças com dislexia podem apresentar dificuldades emocionais, sociais e de autoestima decorrentes das experiências escolares. Nesse contexto, diferentes estudos têm apontado que a prática musical pode estimular habilidades cognitivas relevantes para o processo de aprendizagem, como atenção, memória, percepção auditiva e integração multissensorial (Alves, 2017). A música envolve a organização temporal e perceptiva de estímulos sonoros, exigindo do indivíduo processos cognitivos complexos que podem dialogar com as habilidades envolvidas na leitura e na linguagem (Barbosa, 2012). Assim, surge a seguinte questão de pesquisa: “Aulas de música podem contribuir para a atenuação dos sintomas da dislexia em crianças?
Objetivos
Analisar como aulas de musicalização podem auxiliar crianças com dislexia em seus sintomas primários (leitura e escrita) e secundários (depressão, ansiedade, isolamento social).
Método
Esta pesquisa em andamento caracteriza-se como um estudo de abordagem qualitativa e delineamento de estudo de caso (Branski, Franco e Lima Junior, 2017). Participam do estudo duas crianças com diagnóstico de dislexia, com idades entre 9 e 10 anos, que frequentam aulas de musicalização no Centro de Musicalização Integrado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ao longo do processo, foram ministradas quatorze aulas de musicalização, registradas por meio de gravações em áudio e vídeo. Além disso, foram utilizados diferentes instrumentos de coleta de dados, como registros em diário de campo, análise de históricos escolares, análise de laudos fonoaudiológicos e entrevistas com as crianças, seus responsáveis e profissionais que acompanham seu desenvolvimento. Os dados coletados estão sendo analisados com base em critérios de tipicidade e oportunidade, bem como por meio da análise de conteúdo, permitindo identificar categorias relevantes relacionadas ao desenvolvimento musical e às possíveis mudanças observadas nas crianças participantes.
Resultados
Os resultados preliminares, advindos das análises dos vídeos gravados das aulas (Laville e Dionne, 1999), indicam avanços perceptíveis no desenvolvimento musical das crianças, especialmente em aspectos relacionados à percepção rítmica, à coordenação motora e ao engajamento nas atividades propostas (Alves, 2017). Também foram observados indícios de maior motivação, participação e confiança durante as aulas, sugerindo que a musicalização pode contribuir para o fortalecimento de dimensões sociais e emocionais frequentemente afetadas pela dislexia (Asmmann e Santos, 2011). Ainda que esses resultados sejam iniciais, eles apontam para o potencial da educação musical como ferramenta pedagógica complementar no contexto educacional de crianças com dificuldades de aprendizagem.
Conclusões
Embora a pesquisa ainda esteja em andamento, os dados preliminares sugerem que a musicalização pode representar um recurso pedagógico relevante para o desenvolvimento integral de crianças com dislexia. Além de favorecer habilidades musicais específicas, a prática musical contribui para aspectos cognitivos, motores e socioemocionais, reforçando a importância de abordagens interdisciplinares no processo educacional. Espera-se que os resultados finais da pesquisa possam oferecer contribuições para o desenvolvimento de práticas pedagógicas inclusivas que integrem a educação musical ao acompanhamento educacional de crianças disléxicas.