Desenvolvimento e avaliação de ferramentas de simulação acústica imersiva para a promoção de estratégias metacognitivas na preparação da performance musical

Autores

  • RAVI SHANKAR MAGNO VIANA DOMINGUES UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA/UNIVERSITÉ DE MONTREAL/CIRMMT

Palavras-chave:

metacognição, autorregulação, Performance Musical, simulação acústica imersiva, pedagogia da performance

Resumo

Problema

A performance musical é fortemente influenciada pela acústica do ambiente, afetando tanto a percepção sonora quanto as escolhas interpretativas dos músicos. Estudos apontam que diferentes assinaturas acústicas impactam diretamente a percepção auditiva (Kato et al., 2015) e levam intérpretes a ajustar parâmetros como tempo, intensidade e timbre (Ueno et al., 2010). Além disso, essas variações podem influenciar aspectos psicológicos e emocionais, como a sensação de segurança e controle durante a performance. No entanto, músicos frequentemente praticam em ambientes acusticamente distintos das salas de concerto onde realizam performances, audições e turnês, enfrentando um constante desafio de adaptação. Nesse contexto, tecnologias imersivas emergem como ferramentas promissoras, sendo amplamente utilizadas em diferentes áreas para potencializar experiências perceptivas e de aprendizagem (Klico & Muhić, 2022). Tais tecnologias podem também contribuir para o desenvolvimento de processos metacognitivos (Araújo et al., 2024), promovendo práticas mais conscientes e autorreguladas na preparação da performance musical.

Objetivos

Este estudo tem como objetivo avaliar o potencial da simulação acústica imersiva, baseada em reverberação por convolução em tempo real e fones de condução óssea (Gozzi & Liuni, 2025), como ferramenta para promover processos metacognitivos na preparação da performance musical em diferentes contextos acústicos.

Método

A pesquisa adota uma abordagem autoetnográfica articulada à Design-Based Research (DBR) (McKenney & Reeves, 2012), integrando o desenvolvimento do sistema à sua aplicação prática. O sistema combina fones de condução óssea — que permitem a escuta simultânea do som natural e simulado (Stenfelt & Reinfeldt, 2007) — e reverberação por convolução em tempo real com respostas impulsionais binaurais (Kantorik, 2014). O estudo foi conduzido entre março e maio de 2025, envolvendo o ajuste de palhetas e a preparação de performances em música de câmara e orquestra. Foram testadas seis condições experimentais (com e sem sistema; com e sem protetores auditivos), com registros sistemáticos em diário de prática.

Resultados

A utilização do sistema resultou em aumentoaumento da expressividade (vibrato e flexibilidade rítmica), maior precisão na percepção de afinação, articulação e timbre e melhor antecipação do comportamento das palhetas em diferentes ambientes. Observou-se também redução do esforço físico e mental e facilitação na adaptação ao uso de protetores auditivos. A ferramenta atuou como mediadora de processos de metacognição incorporada, integrando percepção auditiva, ação corporal e tomada de decisão musical.

Implicações

A simulação acústica imersiva amplia as possibilidades de preparação da performance, promovendo ambientes de prática mais próximos das condições reais. Além de recurso tecnológico, configura-se como ferramenta pedagógica que favorece autorregulação, consciência corporal e saúde do músico, abrindo novas perspectivas para a pedagogia da performance musical.

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Publicado

2026-07-13