Planejamento composicional a partir de sistemas e estratégias de organização e seleção pós processamento
Palavras-chave:
Teoria dos sistemas composicionais, Especificação de sistemas composicionais híbridos, Planejamento composicionalResumo
Problema/questão
A teoria dos sistemas composicionais (XXX, 2020) compreende a composição musical como uma metodologia que abrange três níveis epistemológicos. No nível mais superficial, temos o processo de composição no qual se produz uma partitura ou um arquivo de áudio. Anteriormente a ele, no segundo nível, temos a construção de um plano composicional, no qual são administrados os diversos objetos e relações envolvidos no processo composicional, enquanto no nível mais profundo, lidamos com uma estrutura formada unicamente por relações e objetos genéricos. Na engenharia de sistemas composicionais podemos produzir especificações que podem conter objetos com certo grau de complexidade, não constituindo diretamente componentes musicais presentes numa partitura ou arquivo de áudio. Assim, na etapa do planejamento composicional, nível epistemológico intermediário, as saídas produzidas pelos sistemas precisam ser compreendidas e organizadas, dentro do nível de abstração e complexidade característico delas e possivelmente com auxílio de ferramentas (xxxx, 2019). As teorias de esquema na área de psicologia cognitiva ajudam os psicólogos a explicar como pessoas processam situações e eventos complexos (Matlin, 2004, p. 172). Os compositores precisam lidar com objetos de saída, que podem abranger tanto parâmetros de superfície, como objetos abstratos de maior complexidade e a organização deles precisa ser pensada como forma de oferecer escolhas e explicar estratégias composicionais adotadas.
Objetivos
O objetivo desta pesquisa é dar auxílio às etapas de planejamento composicional, explorando o uso de recursos de abstração na geração do plano composicional. No processo composicional de Xenakis (1992), o compositor fez uso de representação gráfica utilizando diagramas para explicar casos de estudo de maior complexidade. De forma análoga, o emprego de gráficos é proposto também nas etapas do planejamento, como forma de explicar a organização dos dados de saída dos sistemas composicionais e permitir uma análise das opções de uso deles.
Método
O método envolveu o uso de representação gráfica como ferramenta para facilitar o entendimento das opções de organização dos objetos de saídas provenientes do processamento de sistemas composicionais, com seleção de ferramentas analíticas para agrupar ou selecionar os dados de saída.
Resultados e/ou Principais contribuições
A metodologia proposta produziu um plano de composição com opções de textura e densidade-número (Berry, 1987) para organizar o parâmetro altura de uma obra escrita para três instrumentos: flauta, viola e harpa. Os dados de saída de um sistema híbrido foram organizados através de valores de contornos formados pela quantidade de vozes presentes nos vários segmentos gerados pelo processamento do sistema. Em termos práticos, esta metodologia apresenta uma perspectiva pedagógica, no sentido de que ela organiza o pensamento composicional de alunos ou jovens compositores.
Conclusões e/ou Implicações
No planejamento composicional, um conjunto-léxico foi definido para que o compositor pudesse escolher uma das opções para escrever a distribuição de vozes de cada um dos segmentos da peça. Assim, a problemática inicial descrita foi resolvida através da produção de gráficos, que facilitaram o uso dos objetos de saída do sistema.