Bimanual Synchronization in Pentachord Performance Effects of Finger Homology and Movement Direction

Autores

  • Paloma Monteiro Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
  • Maxwell Gentili-Morin
  • Giordano Gatti
  • João Paulo Casarotti
  • Jefferson Fagundes Loss
  • Marcelo M.Wanderley
  • Regina Antunes Teixeira dos Santos

Palavras-chave:

Bimanual synchronization, piano practice, MIDI

Resumo

 

Problema

A sincronização temporal entre as mãos constitui um componente fundamental da performance pianística (Goebl & Palmer, 2013), estando relacionada à organização motora, escolhas de dedilhado e precisão do ataque sonoro. Embora a literatura reconheça a relevância da coordenação bimanual (Goebl, Flossmann, & Widmer, 2010; Swinnen & Wenderoth, 2004; Jabusch, 2006; Furuya & Altenmüller, 2013; Ito et al., 2023), as implicações das restrições anatômicas dos dedos para a sincronização temporal permanecem insuficientemente investigadas. Devido à organização tendínea dos músculos extensores, os dedos não operam de forma independente e estão sujeitos a dependências mecânicas e neuromusculares em tarefas que exigem extensão e produção de força. No contexto da performance ao piano, o desafio motor reside em desenvolver a dissociação funcional entre os dedos, mantendo a precisão temporal.

Objetivos

Investigar os efeitos do uso de dedilhados homólogos e não homólogos na sincronização bimanual durante a execução do pentacorde de Fá maior, comparando as condições de movimento paralelo e contrário.

Método

Dois pianistas (P1 e P2) participaram do estudo e executaram o pentacorde de Fá maior sob duas condições: movimento paralelo e movimento contrário. Em cada condição, foram realizadas 12 repetições e calculada a assincronia temporal média, resultando em um valor único por condição e participante. Os dados foram coletados via MIDI, permitindo o cálculo da assincronia entre os ataques das notas das duas mãos. Um script desenvolvido para esta pesquisa identificou os ataques das notas e a diferença temporal entre as mãos. As execuções foram realizadas em um piano digital conectado a um computador e gravadas no Reaper. A análise foi conduzida no MATLAB, e as diferenças entre as condições foram comparadas por meio de teste t, adotando-se p < 0,05 como nível de significância.

Resultados

Os resultados indicaram que a sincronização das mãos em P1 variou sistematicamente em função do tipo de movimento e das combinações nota-dedo, sugerindo diferentes organizações motoras em movimento paralelo e contrário. No movimento paralelo, observou-se uma predominância de antecipação da mão esquerda e uma menor magnitude de assincronia, indicando maior estabilidade temporal. No movimento contrário, além de uma mudança na liderança para a mão direita na maioria das combinações, observou-se um aumento na magnitude da assincronia, refletindo uma maior reorganização temporal sob esta condição.

Para P2, os resultados indicaram maior estabilidade temporal no movimento paralelo, com menores magnitudes de assincronia. Em contraste, o movimento contrário mostrou um aumento na magnitude da assincronia, acompanhado de maior variabilidade e alternância de liderança entre as mãos. Esses achados sugerem que as demandas da coordenação bimanual modulam a direção, mas também a magnitude do offset temporal entre as mãos, dependendo da combinação nota-dedo.

Implicações

As combinações envolvendo dedos homólogos não apresentaram melhor sincronização em nenhum dos participantes, sugerindo que fatores anatômicos isolados podem não determinar a precisão temporal. Fatores relacionados à direção do movimento musical, ao dedilhado e à familiaridade motora com o movimento paralelo podem ter influenciado os resultados, indicando que diferentes organizações motoras podem sustentar a sincronização bimanual em uma mesma tarefa.

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Publicado

2026-07-13