Musicoterapia e qualidade de vida visual: estudo de revisão

Autores

Palavras-chave:

Musicoterapia, visão, intervenção, protocolo, avaliação, qualidade de vida.

Resumo

Problema/questão
A Musicoterapia tem demonstrado relevância em contextos de estimulação, ensino e reabilitação de pessoas com deficiência visual, contribuindo para o desenvolvimento funcional, psicossocial e para a qualidade de vida (André, et al., 2025; André, et al., 2025b; Davis et al., 2008). Segundo o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022, entre as 198,3 milhões de pessoas com dois anos ou mais de idade no país, 7,9 milhões tinham dificuldade de enxergar (GOV, 2022). Essa informação reafirma a relevância de estudos nessa área. Contudo, mesmo com o aumento crescente dessa população, ainda existem poucos estudos de protocolos padronizados nessa área no contexto nacional, sendo necessária uma revisão em caráter internacional.
Objetivos
O presente estudo teve como objetivo investigar pesquisas em Musicoterapia relacionadas a aspectos de qualidade de vida visual.
Método
Trata-se de uma pesquisa integrativa, realizada entre setembro e dezembro de 2025, com buscas em cinco idiomas no Portal de Periódicos da CAPES e no Google Acadêmico. Foram utilizados os termos “musicoterapia e qualidade de vida visual” em português, inglês, espanhol, alemão e italiano. Foi considerado como critério de exclusão aqueles artigos que não se relacionavam com o tema “musicoterapia e qualidade de vida visual". Portanto, o critério de inclusão foi a relação texto com o tema, independentemente do tipo de estudo. Não foi estabelecido critério de ano de publicação.
Resultados
A busca resultou em 31 estudos no Portal Periódicos da Capes e 680 estudos no Google Acadêmico. Após leitura dos textos e aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 14 estudos foram selecionados).
A busca pelo termo em português “musicoterapia e qualidade de vida visual” resultou em 501 estudos, mas após aplicação dos critérios, foram incluídos 4 artigos (Amorim et al., 2020; Baia et al., 2022; Loureiro, 2009; Scherer, 2012).
O termo em inglês “music therapy and visual quality of life” resultou em 100 estudos, mas após aplicação dos critérios, apenas foram incluídos 2 artigos (Dauber, 2011; Metell, 2015).–
O termo em espanhol “musicoterapia y calidad de vida visual” resultou em 50 estudos, mas após aplicar os critérios, foram incluídos apenas 6 artigos (López, 2021; Martín, 2016; Niño, 2023; Ramos, 2024; Rodríguez, 2016; Suárez et al., 2024).
O termo em alemão “musiktherapie und visuelle lebensqualität” resultou em 60 estudos, mas após aplicar os critérios, foram incluídos apenas 2 artigos (Bertelmann, 2009; Eschstruth, 2004).
O termo em italiano “musicoterapia e qualità di vita visiva” não teve nenhum resultado.
Em todos os estudos, apenas a pesquisa de Loureiro (2009) apresentou um protocolo de Musicoterapia na qualidade de vida visual (PMQVV).
Implicações
Os resultados indicam que, embora a literatura sobre Musicoterapia e visão ainda seja limitada, existem evidências consistentes de intervenções musicoterapêuticas voltadas à orientação espacial, coordenação visuomotora, percepção sensorial e aspectos psicossociais relacionados à visão.
Esse estudo permitiu evidenciar a relevância da Musicoterapia nesse campo e sustentam a continuidade de pesquisas voltadas à criação e validação de instrumentos e protocolos padronizados para atendimento e avaliação.

Biografia do Autor

Aline Moreira Brandão André, Universidade Federal de Minas Gerais

Aline Moreira Brandão André é professora adjunta da graduação em Musicoterapia na Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professora permanente do Programa de pós-graduação em Música da UFMG, na linha de pesquisa de Musicoterapia. Tem pós doutorado, mestrado e doutorado em Música pela UFMG, especialização em Educação Musical, Neurociências, Teologia e Arteterapia pela Universidade de Venda Nova do Imigrante (FAVENI) e bacharelado em Música – Habilitação em Musicoterapia pela UFMG. É certificada em Musicoterapia Neurológica pela Academy of Neurologic Music Therapy. Atualmente está cursando pós-doutorado em Neurociências pelo Programa de pós-graduação em Neurociências da UFMGL Participou de pesquisas nos seguintes temas: protocolo de atendimento, transtornos do neurodesenvolvimento, patologias neurológicas, musicoterapia improvisacional, musicoterapia neurológica e Escalas Nordoff Robbins.

Milton Rodrigues Santos, Universidade Federal de Minas Gerais

Estudante de Musicoterapia na Universidade Federal de Minas Gerais

Cybelle Maria Veiga LoureIro, Universidade Federal de Minas Gerais [https://ror.org/0176yjw32]

Cybelle Maria Veiga Loureiro é Doutora em Medicina na área de conhecimento Ciências Aplicadas à Cirurgia e Oftalmologia - Faculdade de Medicina-UFMG (2009); Mestre na área de conhecimento Musical Educação Musical - Escola de Música - UFMG (2005); Bacharel em Musicoterapia - University of Iowa (1991); Bacharel em Música Instrumento para Piano - Conservatório Musical Carlos Gomes (1975); Representante da América Latina na Federação Mundial de Musicoterapia-WFMT (2009-2014); Membro da Comissão de Formação e Clínica da WFMT (2014); Professora Associada aposentada de Musicoterapia da Universidade Federal de Minas Gerais (2009), Coordenador do Curso de Bacharelado em Musicoterapia (2009); Professor permanente do PPG em Neurociências - ICB-UFMG linha de pesquisa: neurociências, música e artes (2011); Professor Permanente do PPG em Música - EM-UFMG (2011) na área de Sonologia. Experiência na área de Música e Musicoterapia, atuando principalmente nas áreas: sonologia, neurociências, musicoterapia neurológica; educação musical especial; deficiência física; Síndrome de West; esclerose múltipla; neurite óptica; neuromielite; neonatologia; atraso no neurodesenvolvimento; Parkinson; Alzheimer; demência semântica e cuidados paliativos.

Downloads

Publicado

2026-07-13