Propõe-se um modelo teórico das condições perceptivas da emergência da cognição musical primária, nível perceptivo resultante da interação entre regularidades acústicas dos sons periódicos e arquitetura funcional do sistema auditivo. Por revisão teórica interdisciplinar, articulam-se acústica, psicoacústica, neurociência auditiva e cognição musical. O modelo tem como eixos periodicidade, harmonicidade e plasticidade auditiva. Argumenta-se que a periodicidade estrutura a organização temporal e espectral, representada idealmente pela série harmônica e expressa perceptivamente na harmonicidade. Como resultado teórico, propõe-se a convergência funcional: a exploração das regularidades acústicas pelo sistema auditivo, fundada na compatibilidade com sua organização tonotópica e modulada pela plasticidade auditiva. Essa interação estabelece a base perceptiva sobre a qual operam processos cognitivos e culturais mais complexos e condiciona, sem determinar, a organização da experiência musical.
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