A ansiedade de palco constitui um fenômeno complexo da experiência musical, resultante da interação entre processos corporais, perceptivos, afetivos e cognitivos. Este artigo propõe o modelo da Ecologia da Performance Musical e Ansiedade de Palco, fundamentado na fenomenologia, na cognição incorporada, na psicologia ecológica da percepção, nos marcadores somáticos e na teoria da expectativa musical. Argumenta-se que a ansiedade emerge de instabilidades no acoplamento corpo-contexto-consciência, compreendido como um sistema relacional e situado de ação, geradas pela reconfiguração das affordances do palco, afetando o fluxo da ação musical e a evocação da memória da performance. Conclui-se que a ansiedade deve ser compreendida como fenômeno sistêmico e situado, orientando práticas pedagógicas voltadas à ampliação da flexibilidade performativa do intérprete.