Música e Linguagem: Habilidades Rítmicas em Crianças com Diagnóstico de Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem. (TDL)
Palabras clave:
Música e Cognição, TDL, Habilidades Rítmicas, Compartilhamento NeuralResumen
Este estudo investiga a relação entre música e linguagem na cognição, explorando se habilidades musicais podem indicar risco para o Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL). Assim como a linguagem, a música apresenta uma estrutura hierárquica complexa (Slevc et al., 2008), o que questiona a ideia de que esses sistemas sejam totalmente independentes. Evidências recentes sugerem que linguagem e música podem compartilhar recursos neurais, indicando uma organização mais integrada (Li et al., 2023; Cecchetti, Herff, & Rohrmeier, 2022; Fiveash et al., 2021; Ladányi et al., 2020). A hipótese PRISM propõe que o processamento rítmico na fala e na música depende de três mecanismos principais: processamento auditivo preciso, sincronização de oscilações neurais com estímulos rítmicos e acoplamento sensório-motor. Estudos mostram que crianças com TDL apresentam dificuldades no ritmo da fala e da música, com desempenho inferior em tarefas rítmicas. Este trabalho também considera a hipótese do Risco de Ritmo Atípico (ARRH), segundo a qual alterações no processamento rítmico podem representar um fator de risco para distúrbios do desenvolvimento da linguagem. Participaram do estudo dez crianças com TDL e dez com desenvolvimento típico, previamente avaliadas pelo Módulo 1 do MABILIN. Foram aplicadas duas tarefas: uma de discriminação rítmica e outra de sincronização rítmica (Tapping Task). Na primeira, os participantes deveriam identificar mudanças em sequências rítmicas; na segunda, sincronizar toques com o som de um metrônomo, com tolerância de 50 ms. Os resultados indicaram que crianças com TDL apresentaram desempenho inferior em ambas as tarefas. Na discriminação rítmica, tiveram menos acertos na detecção de mudanças. Na tarefa de sincronização, mostraram dificuldade em manter o ritmo, frequentemente perdendo a pulsação ou produzindo toques extras, além de maior instabilidade rítmica. Esses achados sugerem que crianças com TDL apresentam dificuldades na percepção e na produção do ritmo, o que pode estar relacionado a déficits de temporização cognitiva e possivelmente servir como um indicador precoce de comprometimento da linguagem.