Musicalmente Surdo
Tecnologia Assistiva para a musicalidade surda utilizando Pure Data
Palabras clave:
Musicalidade surda, Tecnologia Assistiva, Acessibilidade MusicalResumen
RESUMO
Problema/questão
O ensino musical de pessoas surdas enfrenta um desafio crítico em ambientes virtuais: a ausência da percepção tátil das vibrações sonoras, recurso central em aulas de música presenciais. Para a comunidade surda — que vivencia a surdez como diferença cultural e linguística (Strobel, 2008) — a mediação por telas elimina a possibilidade de sentir as vibrações sonoras presencialmente, recurso tátil fundamental para a percepção de pulso e ritmo, uma vez que a música é uma experiência multissensorial (Duarte, 2017). O problema reside na necessidade de Tecnologias Assistivas (TA) que traduzam a informação sonora para o canal visual de forma precisa e em tempo real, permitindo que o aluno identifique o pulso e as nuances rítmicas remotamente.
Objetivos
Este trabalho descreve o desenvolvimento e a aplicação da ferramenta de TA "Musicalmente Surdo", baseada em software livre, visando fomentar a acessibilidade e o condicionamento rítmico remoto para surdos. O objetivo central é investigar como interfaces visuais interativas podem auxiliar sujeitos surdos na manutenção do pulso e na realização de práticas musicais coletivas em ambientes virtuais.
Método
Utilizou-se a linguagem de programação visual Pure Data para criar um modelo computacional de processamento de áudio em tempo real. O sistema captura o áudio gerado pelos ambientes virtuais através do objeto [fiddle~], que realiza análise de pitch e amplitude via algoritmo FFT (Kreidler, 2013). O projeto estruturou-se em dois sub-patches: 1) Filtros, que segmenta o espectro sonoro em quatro canais de frequência (150Hz a 200Hz; 350Hz a 800Hz; 800Hz a 1500Hz; acima de 1900Hz); e 2) Conexão, que encapsula os dados de amplitude e frequência em pacotes OSC, transmitidos via UDP para o ambiente Processing, que gera a interface gráfica interativa.
Resultados e/ou Principais contribuições
A TA traduziu sinais sonoros em circunferências dinâmicas na tela, mapeando quatro regiões de frequência para cores específicas (vermelho para graves, verde para médios, azul para médios-agudos e amarelo para agudos), enquanto a amplitude controlava o tamanho das formas. A aplicação permitiu que alunos surdos visualizassem suas ações sonoras em tempo real e as dos demais participantes, superando o atraso da rede e a ausência de estímulos táteis. Isso garantiu autonomia para se adequarem ao pulso musical coletivo, promovendo a participação ativa em criações rítmicas, conforme Louro (2012) sobre a importância da pulsação para o fazer musical. A visualização alinha-se à percepção de Prometi (2020) e Strobel (2013) de que os surdos percebem a música primariamente pelos olhos e pelo corpo.
Conclusões e/ou Implicações
O uso de linguagens como o Pure Data demonstra ser eficaz para a criação de TAs que promovem a inclusão social e o desenvolvimento cognitivo-musical de surdos, respondendo afirmativamente às questões propostas por Bersch (2017) para a validação de uma TA. A proposta evidencia que a acessibilidade musical remota é um paradigma necessário e viável para a democratização do ensino, permitindo que a Cultura Surda ocupe espaços de criação coletiva de forma autônoma, independentemente do contexto geográfico, e reafirmando a capacidade musical de pessoas surdas (Benassi, 2014).
Palavras-chave
Musicalidade Surda. Tecnologia Assistiva. Acessibilidade Musical.