Estratégias de aprendizagem autorregulada na prática do hibridismo vocal

relatos de cantores de alta performance

Autores

  • Helen Bovo Tormina Unespar

Palavras-chave:

canto híbrido, canto crossover, autorregulação, agência humana, aprendizagem autorregulada

Resumo

Problema/questão

A prática de hibridismo ou crossover[1] técnico-vocal, em especial entre ópera e teatro musical, impõe desafios técnico-estilísticos e perceptivos significativos ao performer. Por demandas do mercado, mesmo cantores com formação dedicada majoritariamente a uma técnica específica, acabam tendo que diversificar sua atuação. Entrevistas realizadas por XXXX (0000) investigaram quais estratégias foram realizadas por cantores reconhecidos pela crítica como performers de excelência nos dois estilos em questão, buscando entender como desenvolveram suas carreiras híbridas. Os depoimentos evidenciaram a existência de processos cognitivos elaborados com os quais estes gerenciaram seu aprendizado de forma altamente estratégica e consciente. O problema reside em compreender de que maneira cantores experts organizaram suas trajetórias para conciliar demandas de alta performance com eficácia e saúde vocal.

 

Objetivos

  • Mapear estratégias cognitivas de aprendizado e manutenção da performance presentes nos depoimentos transcritos por XXXX (0000).

Método

Realizou-se um estudo correlacional entre fundamentação teórica e entrevistas retrospectivas semiestruturadas. A amostra de sujeitos consistiu em sete cantores escolhidos por relevância, através do reconhecimento entre pares e pela crítica especializada. Os dados foram interpretados por meio da análise de conteúdo, utilizando pré-análise da ocorrência de palavras, análise sequencial das repetições e categorização por analogia.

Resultados e/ou Principais contribuições

Os resultados evidenciam a presença de todos os pilares da agência humana descritas por Bandura (2017): intencionalidade no planejamento dos ajustes vocais para repertórios distintos, pensamento antecipatório para gerir temporadas híbridas através da organização prévia da rotina vocal e corporal (Polydoro; Azzi, 2009); autorreatividade nos ajustes vocais conforme a resposta da própria voz; e autorreflexidade na crítica das experiências performáticas. Observou-se a mobilização de processos de aprendizagem autorregulada (Zimmerman, 1998), modelagem durante a musicalização com canto coral, bem como congruências com as fases do desenvolvimento do talento (Bloom e Sosniak, 1985). Por fim, os relatos também demonstraram processos de auto-observação, julgamento do desempenho, associados à autoeficácia.

Conclusões

Conclui-se que a excelência no hibridismo vocal decorre do domínio avançado de processos cognitivos que permitem monitorar e ajustar a performance de forma independente e intencional. A pesquisa implica a necessidade de integrar teorias de aprendizagem autorregulada na pedagogia vocal, capacitando o estudante a lidar com múltiplas identidades vocais exigidas pelo mercado contemporâneo.

 

[1] Nome mais comum na utilização de mais de uma técnica vocal sem reminiscências sonoras entre uma e outra. Para definição mais completa ver XXXX (0000).

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Publicado

2026-07-13