Este artigo examina o uso do efeito de prestígio como recurso artístico na composição musical, explorando a interação entre texto e música. Com base em estudos de psicologia cognitiva, discute-se o priming texto-música, em que textos prévios moldam a recepção da obra. Nesse contexto, apresenta-se a peça Contém erros, composta por uma epígrafe e uma miniatura musical, concebida para explorar artisticamente o efeito de prestígio negativo e a estratégia de escuta de falhas descrita por Huron (2012). A análise mostra como elementos musicais – pausas abruptas, cromatismos e resoluções inesperadas – podem ser interpretados como “erros” quando antecipados por informações textuais que autorizam o ouvinte a adotar uma postura hipercrítica. Embora não configure um experimento empírico, mas sim uma aplicação artística informada pela literatura, o estudo sugere que epígrafes podem atuar como moduladores da escuta, predispondo o público a estados de vigilância e expectativa negativa.
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