Atividades musicais e desenvolvimento cognitivo
estratégias inclusivas para estudantes com TEA e TDAH
Palavras-chave:
Educação musical inclusiva, cognição, atenção, memória, TEA E TDAHResumo
Problema/questão
O aumento do número de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) nas escolas brasileiras tem desafiado educadores a desenvolver práticas pedagógicas inclusivas capazes de atender às necessidades cognitivas e socioemocionais desses estudantes. Entre as dificuldades mais recorrentes estão aquelas relacionadas às funções cognitivas de atenção e memória, habilidades essenciais à aprendizagem, organização das atividades e autorregulação do comportamento (Luria, 1981; Barkley, 2008; Baddeley, 2000). Paralelamente, pesquisas em cognição musical indicam que a prática musical mobiliza redes neurais relacionadas à atenção, memória e autorregulação (Rocha e Boggio, 2013; Meirelles, Stoltz e Luders, 2014).
Na educação musical inclusiva, Louro (2015) destaca que o ensino de música considera particularidades do desenvolvimento humano e das diferentes formas de aprendizagem, exigindo do educador uma abordagem interdisciplinar integrando conhecimentos pedagógicos, musicais e cognitivos. Além disso, a música é reconhecida pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como linguagem artística capaz de mobilizar sensibilidade, pensamento, emoções e subjetividades no processo educativo (Brasil, 2017). Nesse contexto, emerge a seguinte questão de pesquisa: como atividades musicais específicas podem contribuir para o desenvolvimento das funções cognitivas (atenção e memória) e favorecer a inclusão escolar de estudantes com TEA e TDAH?
Objetivos
O objetivo geral é investigar os benefícios de atividades musicais específicas favorecendo o desenvolvimento cognitivo (atenção e memória) e a inclusão escolar de estudantes com TEA e TDAH. Como objetivos específicos, busca-se identificar estratégias musicais que estimulam funções cognitivas como atenção e memória; analisar como as atividades musicais podem favorecer a inclusão e a socialização desses estudantes; e refletir sobre a prática pedagógica musical como promotora de desenvolvimento humano.
Método
Esta pesquisa, vinculada ao Programa de Pós-Graduação Profissional em Artes da Universidade Federal do Ceará, está em andamento e caracteriza-se como qualitativa, fundamentada na técnica de observação como procedimento principal de coleta de dados (Teixeira, 2015). A investigação será realizada com estudantes neurodivergentes, com idades entre 7 e 14 anos, participantes das aulas de canto e flauta doce na Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Pompílio Ciríaco de Sousa, onde a pesquisadora atua como professora de música.
A produção dos dados ocorrerá por meio de observações sistemáticas das interações e comportamentos durante as atividades musicais, registradas em fichas de observações, questionários, diário de campo e registros audiovisuais. As intervenções pedagógicas incluem jogos musicais, sequências rítmicas e práticas coletivas de canto e flauta, voltadas ao estímulo da atenção, da memória e da interação social.
Resultados esperados
Espera-se identificar indícios de melhora na atenção e no desempenho da memória dos estudantes com TEA e TDAH. Além disso, prevê-se maior engajamento nas atividades escolares, fortalecimento da socialização e maior pertencimento ao grupo. O estudo pretende contribuir para sistematização de estratégias pedagógicas aplicadas à música na construção de práticas educativas inclusivas.
Considerações
A música, quando utilizada de forma intencional e estruturada no contexto educacional, pode atuar como mediadora do desenvolvimento cognitivo e da inclusão escolar, evidenciando seu potencial como prática pedagógica transformadora no contexto da diversidade.