O canto demanda uma constante integração entre informações auditivas e motoras para garantir a precisão da afinação, da qualidade vocal e do controle técnico. No entanto, é comum que o cantor perceba que está “fora do tom” apenas após a emissão vocal. Esse fenômeno, frequentemente ignorado na pedagogia vocal, revela mecanismos neurocognitivos complexos de feedback auditivo-motor e de automonitorização e autorregulação da voz. Este artigo propõe uma análise teórica de como o cérebro reconhece e corrige erros vocais, explorando os circuitos envolvidos na integração auditivo-motora e discutindo porque desvios vocais podem não ser percebidos em tempo real. Serão abordados fatores que influenciam a percepção do erro vocal, como sobrecarga cognitiva, estado emocional e ambiente acústico, bem como as diferenças entre cantores treinados e não treinados na capacidade de reconhecer e ajustar desvios. Por fim, propõem-se estratégias pedagógicas para aprimorar a automonitorização vocal e o uso eficaz do feedback auditivo-motor.
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