Este artigo investiga o papel da metáfora na apreensão do timbre, fundamentando-se
na análise comparativa de quatro tratados de orquestração. Inicialmente, apresenta-
se uma revisão bibliográfica de estudos sobre o léxico timbrístico, a Teoria da
Metáfora Conceitual e a psicoacústica. Metodologicamente, utiliza-se a Análise do
Discurso para contrastar o léxico nos tratados de Berlioz (1843/1882), Rimsky-
Korsakov (1913), Piston (1955) e Adler (1986/2016), cruzando-os com escritos de
compositores contemporâneos a cada tratado. Adota-se a flauta transversal como
instrumento-foco do corpus. Os resultados demonstram que a retração de descritores
subjetivos ao longo do tempo vincula-se ao declínio de narrativas românticas,
privilegiando uma escrita objetiva que, contudo, permanece intrinsecamente
metafórica. Conclui-se que o timbre permanece compreendido por meio da mediação
da metáfora, transitando entre poesia e ciência e abrindo um campo fértil para a
criação musical. Sugerem-se, como desdobramento, a aplicação da metodologia a
outros grupos instrumentais e a análise de obras à luz das dimensões semânticas
identificadas nos tratados e pesquisas de suas épocas.
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